Extrassístoles Supraventriculares

Abordagem

Extrassístoles supraventriculares: quando referenciar, quando vigiar e quando tranquilizar. Abordagem estratificada por risco.

NOTA: Bigeminismo/trigeminismo auricular não têm significado prognóstico isolado.
  1. Tranquilizar, Despistar e Tratar

    Achado muito frequente na população geral e, na ausência de cardiopatia estrutural, habitualmente benigno.

    A. Despistar e tratar causas reversíveis

    Despistar e tratar causas reversíveis (ex: SAOS, álcool, tabaco, estimulantes, stress) e controlar FRCV. Pedir MCDT para:

    • Avaliar reversão da extrassistolia após tratamento das causas;
    • Quantificar ESV e pesquisar outras arritmias (FA, taquicardias supraventriculares, bradicardia);
    • Correlacionar sintomas com ESV;
    • Excluir cardiopatia estrutural.
    B. Tratamento farmacológico (apenas se sintomas)

    Tratar farmacologicamente apenas se houver sintomas (independente da carga):

  2. Vigilância

    Vigilância com Holter (anual; semestral se AIT/AVC prévio) nos doentes com:

    • Carga de ESV > 500/24h; ou
    • Salvas de ≥ 20 ESV consecutivas.

    Nestes doentes: educar sobre sintomas de FA e considerar monitorização prolongada para detetar FA oculta.

  3. Referenciar — Consulta de Cardiologia

    Referenciar à Consulta de Cardiologia se:

    • Cardiopatia estrutural significativa (disfunção VE/VD, dilatação de cavidades, valvulopatia moderada/grave, hipertensão pulmonar, hipertrofia marcada); ou
    • Sintomas incomodativos e refratários ou se tratamento médico contraindicado/não tolerado (ex: bradicardia sintomática); ou
    • Taquicardia supraventricular refratária a β-Bloq.

Correspondem à ativação prematura das aurículas a partir de um foco que não é o NS.

  1. Ondas P que ocorrem esporadicamente e têm morfologia diferente da onda P sinusal:
    1. Se próximas do NS, podem ter morfologia semelhante;
    2. Se ocorrerem perto, ou “em cima” da onda T/QRS, podem ser difíceis de detectar;
  2. O Intervalo PR que se segue à extrassístole pode ser mais curto ou mais longo que o PR que ocorre em ritmo sinusal.
  3. Por vezes, as extrassístoles supraventriculares podem ser bloqueadas e não conduzirem um QRS.
  4. QRS geralmente estreito, mas pode ser alargado se houver bloqueio de ramo associado (mais frequente é BRD).
  5. As extrassístoles podem ocorrer com padrão de bigeminismo se houver uma extrassístole a seguir a cada onda P sinusal, com  padrão de trigeminismo se houver uma extrassístole a seguir a cada 2 ondas P sinusais, ou podem ocorrer em couplet, isto é, duas extrassístoles seguidas, triplet se 3 extrassístoles seguidas.
  1. Idiopático
  2. Toxinas/químicos
    1. Álcool
    2. Tabaco
    3. Cafeína
    4. Teofilina
    5. Stress
    6. Drogas
      1. Anfetaminas
      2. Cocaína
  3. Cardiopatia
    1. Hipertrofia ventricular
    2. DCI aguda ou crónica
    3. IC
    4. Pericardite
    5. Doenças sistémicas com atingimento cardíaco
      1. Amiloidose
      2. Sarcoidose
      3. Etc.
    6. Doenças que aumentem a pressão ou dilatação das aurículas
      1. Valvulopatias (sobretudo estenose mitral)
      2. HTP
      3. Etc.
    7. Patologia auricular
      1. Fibrose
      2. FA
      3. Etc.
  4. DPOC
  5. SAOS
  6. HipoK
  7. Hipertiroidismo
  8. Iatrogénico
    1. Intoxicação por digitálicos
    2. Antagonistas muscarínicos (inaladores)
    3. Agonistas beta (inaladores)
    4. Fármacos simpaticomiméticos
  1. Estudo Padrão
  2. ECG
  3. HOLTER
  4. Ecocardiograma
  5. Polissonografia (se suspeita clínica, ex. através de questionário STOP BANG
  6. Outros, de acordo com suspeita clínica (ex. prova de esforço ou cintigrafia se suspeita de DCI).