São vários os diagnósticos diferenciais de inversão da onda T, sendo essencial o contexto clínico em que ocorrem. Se os sintomas forem sugestivos de DCI aguda, ou houver dúvidas em relação ao diagnóstico diferencial, o utente deve ser encaminhado ao SU.
De seguida, apresentaremos algumas das causas mais frequentes de inversões da onda T, e as respectivas características electrocardiográficas. Para uma lista mais exaustiva, ver causas
DCI aguda
Ondas T invertidas, com amplitude > 0,1mV, em ≥ 2 derivações contíguas; ou
Sinal de Wellens – altamente específico de oclusão da artéria coronária descendente anterior.
Segmento ST isoeléctrico ou elevação mínima do ponto J (<1mm); e
Onda T bifásica (primeiro positiva, depois negativa) em V2-V3 ou
Ondas T simétricas, com inversão profunda (≥0,5mV), em V2-V3 e, ocasionalmente, V1, V4, V5 e V6.
Pseudonormalização das ondas T:
Ocorre em doentes que tinham onda T em ECG prévios (ex. por EAM antigo, bloqueio de ramo, WPW, etc.) que normaliza durante um quadro sugestivo de DCI aguda (ex. dor anginosa de novo). Altamente sensível e específico de EAM.
Se ocorrer exclusivamente durante a prova de esforço, sem sinais/sintomas sugestivos de DCI aguda, não é um sinal de enfarte. Deverá ser enquadrado na restante anamnese.
EAM prévio
Passada a fase aguda, com o passar dos dias/semanas, o segmento ST volta ao normal, desenvolve-se uma onda Q patológica, há diminuição da amplitude da onda R e inversão da onda T que pode, ou não, ser permanente.
HipoK
Durante a hipoK, podem-se observar inúmeras alterações no ECG, nem sempre relacionadas com a onda T (ex. extrassístoles auriculares ou ventriculares).
No entanto, sobretudo em situações graves (K<2,7mmol/L), as seguintes alterações são características:
Infradesnivelamento do segmento ST;
Prolongamento do intervalo QT;
Achatamento (amplitude <0,1mV), alargamento e/ou inversão da onda T;
Aumento da amplitude da onda U;
Fusão entre a onda T e a onda U.
AVC
Embora seja um padrão raro, pode ajudar o diagnóstico diferencial num contexto clínico sugestivo. Ocorre sobretudo nos AVC hemorrágicos.
Inversão profunda das ondas T (amplitude >0,5mV), geralmente em várias derivações – chamadas ondas “T cerebrais”.
TEP
O padrão S1Q3T3 (onda S proeminente em DI, onda Q patológica em DIII e inversão da onda T em DIII), embora relativamente raro, deve levantar a suspeita de TEP num quadro clínico sugestivo.
No caso de HVE, HVD, BRD, BRE, WPW,a inversão da onda T é geralmente secundária a problemas de despolarização. No entanto:
Sugestivo de isquemia se:
Anamnese sugestiva, independentemente do segmento ST ou onda T; e/ou
Segmento ST e/ou onda T invertidos no mesmo sentido que o complexo QRS (concordantes); e/ou
Depressão do segmento ST com onda T positiva; e/ou
Onda T com padrão bifásico (primeiro positiva, depois negativa); e/ou
Onda T simétrica, invertida, ampla, com configuração afunilada, e segmento ST com declive horizontal, ligeiramente “curvado”, simulando uma convexidade superior; e/ou
Alterações progressivas, ao longo do traçado, do segmento ST (ex. o infradesnivalemento torna-se gradualmente mais, ou menos, acentuado).
Não sugestivo de isquemia se:
Anamnese não sugestiva de DCI; e
Segmento ST e onda T na direcção oposta do complexo QRS (discordantes) – no caso do BRD, segmento ST e onda T no sentido oposto à porção terminal do QRS); e
Segmente ST e onda T desviados no mesmo sentido; e
Segmento ST e onda T não variam ao longo do traçado ECG.
Definição
O diagnóstico diferencial de inversão de onda T, sobretudo se de novo, deve ser feito rapidamente e tendo sempre em conta a história clínica. Ver abordagem.
Causas
DCI aguda/crónica
EAM prévio
HVE
HVD
BRD
BRE
WPW
Pacemaker
Pericardite/miocardite
Sobrecardga ventricular
Aneurisma ventricular
Cardiomiopatia de Takotsubo
Crise hipertensiva
Digitálicos
HipoK
AVC
Cardiomiopatia arritmogénica do ventrículo direito