Bloqueio do Fascículo Anterior Esquerdo (Hemibloqueio Anterior Esquerdo)

Abordagem

  1. Realizar anamnese completa e pedir MCDT no sentido de procurar activamente, e reverter, possíveis causas.
  2. Urgente — Encaminhar para SU se:
    1. Bloqueio alternante de ramo ou bloqueio trifascicular; e/ou
    2. Suspeita de causa aguda grave (ex. EAM).
  3. Prioritário — Consulta de Cardiologia se:
    1. Associado a patologia neuromuscular/genética (ex. atrofia nervo peroneal, Kearns-Sayre, Lév, etc.); ou
    2. Síncope de provável etiologia cardíaca e ausência de outra causa, além do hemibloqueio anterior esquerdo, após história clínica e MCDT, que melhor a justifique.
  4. Vigilância e Tranquilizar — nos restantes casos:
    1. A maioria dos doentes estará assintomática e sem história familiar sugestiva de patologia. Nesses casos, o hemibloqueio anterior esquerdo isolado é um achado geralmente benigno e não é necessário um tratamento específico, embora possa haver um risco ligeiro de progressão para fibrilhação auricular e insuficiência cardíaca: controlar FRCV, optimizar terapêutica, vigiar sintomas e repetir MCDT se clinicamente justificado (ex. palpitações de novo).

NOTA: Se associado a BRD (bloqueio bifascicular) ou outras alterações no ECG, agir de acordo as indicações desse capítulo.

Fontes:

1. Kusumoto F, et al. 2018 ACC/AHA/HRS Guideline on the Evaluation and Management of Patients With Bradycardia and Cardiac Conduction Delay. Circulation, 2019; 140:e382–e482
2. Jameson J, et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. McGraw-Hill Education; 20th Ed. Pg 1679
3. Glikson M, et al. 2021 ESC Guidelines on cardiac pacing and cardiac resynchronization therapy. Eur Heart J 2021; 42, 3427-3520
4. Surawicz B, et al. AHA/ACCF/HRS recommendations for the standardization and interpretation of the electrocardiogram: part III. J Am Coll Cardiol, 2009; 53(11):976-81
5. Sauer W, et al. Left anterior fascicular block. UpToDate, última actualização em Nov 2024
6. Elizari M. Hemiblocks Revisited. Circulation 2007; 115(9):1154-63

Figura – BFAE

Surge quando a actividade normal do sistema His-Purkinje (ramo anterior esquerdo) é interrompida ou está atrasada.

  1. QRS <120ms; e
  2. Desvio esquerdo do eixo, marcado: entre os -45 ° e -90 °  (isto é, positivo em DI, negativo em DII, DIII e aVF); e
  3. Padrão qR (com onda Q <0,5mV) em aVL; e
  4. Padrão rS em DII, DIII, e aVF; e
  5. O tempo para o pico da Onda R, em aVL, desde o início da Onda Q, é ≥ 45ms.

NOTA: Podem ocorrer Ondas Q de pequenas dimensões (<0,1mV) de V1-V3. Se forem de maiores dimensões, suspeitar de patologia.

 

  1. Idiopático (prevalência aumenta com a idade)
  2. Síndrome de apneia obstrutiva de sono (SAOS)
  3. Altos fluxos, alta pressão ou turbulência:
    1. Doença valvular
    2. HTA
    3. Cardiomiopatias (hipertrófica, dilatada)
  4. DCI (sobretudo da coronária descendente anterior)
  5. Doença de Chagas
  6. Doenças inflamatórias/infiltrativas
  7. Doenças neuromusculares
    1. Distrofia muscular miotónica
    2. Síndrome Kearns-Sayre
    3. Distrofia de Erb
  8. Cardiomiopatias congénitas
    1. Atrésia tricúspide
    2. Foramen Oval patente
    3. Ventrículo único
    4. Etc.
  9. Doença de Lenègre
  10. Doença de Lev
  11. HiperK
  12. Iatrogénico
    1. Uso de antiarrítmicos
    2. Pós cirurgia cardíaca

 

  1. Estudo Padrão
  2. ECG
  3. Holter, se clinicamente indicado (ex. palpitações, síncope)
  4. Ecocardiograma, se suspeita de cardiopatia
  5. Outros, de acordo com suspeita clínica